A militante, cantora e atriz Preta Ferreira fala de racismo na série de entrevistas “Um Certo Alguém”

Foto: Thi Santos/Divulgação

 

Janice Ferreira da Silva, mais conhecida como Preta Ferreira, é a nova convidada da série de entrevistas Um Certo Alguém. O seu olhar sobre si mesma, o passado, presente e futuro entram no ar na quinta-feira (17/9), a partir das 13h, no site do Itaú Cultural. O objetivo da série semanal é entrevistar artistas e pessoas do meio da arte e da cultura para criar um material curto e de rápido consumo, em que o entrevistado responde a quatro perguntas: qual é a história de sua maior saudade? O que mais te emociona? Como imagina o amanhã? Quem é?

O curador, designer, ilustrador, comunicador e ativista dos direitos indígenas Denilson Baniwa é o convidado da próxima semana.

Baiana de 36 anos, Preta Ferreira é graduada em publicidade, cantora, atriz e uma das lideranças da Ocupação 9 de Julho, no centro de São Paulo, onde vivem centenas de famílias que não têm acesso à moradia – um dos diretos fundamentais do ser humano, previsto na Constituição Federal de 1988. “Minha maior saudade é de ser aquela criança que não pensa em racismo antes e depois de dormir, mesmo já sofrendo as consequências dele,” relata a ativista, que foi uma das protagonistas de Era o Hotel Cambrige, premiado filme de Eliana Caffé.

As respostas da entrevistada continuam nesse caminho – e, quando questionada sobre o que mais a emociona, não titubeia: “Quando vejo uma pessoa preta entrar na universidade. Eu não faço nada pensando somente em mim, tudo que faço tem de ser em plural, pois a conquista só será válida se for dividida por todos”.

Preta foi presa em 24 de junho de 2019 junto de outros ativistas por moradia, acusada de extorsão e associação criminosa por supostamente coagir moradores a pagarem taxas nas ocupações do centro da capital paulista. Mesmo após 70 dias na prisão, nenhuma prova contra ela foi apresentada.

Hoje Preta responde ao processo em liberdade e prepara, junto à editora Boitempo, o livro MINHA CARNE: Diário de uma Prisão. O amanhã dela ainda é atrelado ao fato de ter sido encarcerada.

“Quero estar em liberdade, a verdadeira liberdade, principalmente a que me foi tirada. Pretendo estar nos palcos levando música e cultura para todos os povos”, diz ela, que se vê como uma mulher preta que luta por igualdade e justiça social.