Cine Esquema Novo divulga 31 filmes da mostra competitiva: saiba tudo sobre 14ª edição do festival

Cine Esquema Novo será relizado entre 10 e 15 de abril, em formato online e de forma gratuita

14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira divulgou na semana passada os selecionados para a sua Mostra Competitiva Brasil. São 31 filmes que abordam temas identitários que ganharam força, como o empoderamento negro, questões indígenas e a temática queer, além de narrativas que são permeadas pelo momento de exceção que vivemos, causado pela pandemia e o consequente isolamento social. O evento será realizado entre 10 e 15 de abril, em formato online e de forma gratuita. Foram 144 horas de material avaliadas e selecionadas pelo time de curadores formado por Dirnei Prates, Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame e Vinícius Lopes.

Este ano o festival apresentou o Caderno de Artista: em um ambiente digital criado para cada participante, será apresentada outra obra audiovisual que entre em diálogo com seu trabalho, para estar em exibição com seu filme no festival. Esta obra escolhida pelo artista não estará na Mostra Competitiva Brasil, mas fará parte do Caderno de Artista, que reunirá entrevistas, informações e outras imagens, convidando o público a ter uma maior compreensão do universo de cada realizador.

Conversamos com Jaqueline Beltrame para saber mais sobre a 14ª edição do festival Cine Esquema Novo.

Depois de 13 edições, o que o Cine Esquema Novo precisou mudar para se adaptar à pandemia? Quais são as novidades deste ano?

Quando começou a surgir a movimentação dos festivais e dos projetos presenciais de 2020 que não poderiam acontecer de maneira presencial, então iriam pro online, começamos a pensar em como seria para o Cine Esquema Novo fazer essa transição. Não temos muito a lógica dos festivais de cinema, que é exibir todas as obras dentro de uma sala de cinema. O diálogo que o festival faz é com as artes visuais, o que nos traz sempre a possibilidade de video-instalações. Além disso, temos o fato de que abrimos as inscrições e nossa curadoria para outras formas do audiovisual. Em edições passadas, tivemos performances audiovisuais fora e dentro da sala de cinema na mostra competitiva, instalações com projetores multimídia, de película, com monitores em galerias. O que vamos fazer se não temos a experiência do espaço e o diálogo entre as obras com o espaço, com as outras obras, seja em uma galeria ou em uma sessão? Não queríamos transpor o presencial para o online, que seria pensar na lógica de sessões – uma curadoria de X filmes e os distribui em sessões. No fim do ano passado, chegamos a este formato que traz o caderno de artista. O caderno de artista é um espaço para os realizadores e os artistas da mostra competitiva Brasil, onde é possível alimentar o público com referências de criação de cada um, inclusive com uma outra obra audiovisual, de outra autoria, que tenha relação com a obra deste autor. O caderno de artista oferece a experiência de entrar no universo de criação de cada autor. Foi isso que pensamos para esta edição. Mantivemos ainda a programação de seminário, que é o seminário Pensar a Imagem, com curadoria da Gabriela Almeida, as oficinas e os debates, que antes eram após as sessões, mas em horários determinados.

Você percebe alguma temática mais recorrente nos filmes que o CEN recebeu este ano? A pandemia mudou de alguma forma a produção cinematográfica nacional, na sua opinião?

Há algumas edições, venho percebendo as pautas contemporâneas, muitos filmes com temática queer, muitas obras que abordam racismo, empoderamento negro, questões indígenas, territorialidade, questões contemporâneas que percebemos tanto no audiovisual, quanto nas artes visuais, e é o que vivemos no momento – a arte reflete muito isso, muitos trabalhos políticos. Vemos muitos filmes realizados durante a pandemia que vão além da questão do abandono, de estar trancado, que conseguiram transpor isso e se transformaram em uma obra que remete a esse momento, mas vão além, experimentam mais na narrativa, na estética.

Como foi o ano de 2020 para quem trabalha com cinema?

O audiovisual foi prejudicado, como toda a arte, evidente. No ano de 2020, tivemos vários editais emergenciais que resultaram em obras audiovisuais, mas o setor vem sofrendo muitos problemas com a Ancine. O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que está em crise total e sofrendo um desmonte, é uma ferramenta fundamental para a produção de filmes, para o desenvolvimento e para festivais também. A edição de CEN de 2019 teve financiamento do FSA, por um edital de festivais de cinema, que neste momento não existe (A edição deste ano é realizada com recursos da Lei Aldir Blanc, nº 14.017/2020). Temos sofrido muito.

Conheça os selecionados para a Mostra Competitiva Brasil do 14º Cine Esquema Novo

  • #eagoraoque – Jean-Claude Bernardet & Rubens Rewald
  • 13 Ways of Looking at a Blackbird – Ana Vaz
  • A chuva acalanta a dor – Leonardo Mouramateus
  • Antes do Azul – Romy Pocztaruk
  • As Vezes Que Não Estou Lá – Dandara de Morais
  • Atordoado, Eu Permaneço Atento – Henrique Amud & Lucas H. Rossi dos Santos
  • Caminhos encobertos – Beatriz Macruz e Maria Clara Guiral
  • cantar é com os passarinhos – Amanda Teixeira
  • Célio’s Circle – Diego Lisboa
  • Deserto Estrangeiro – Davi Pretto
  • Entre nós e o Mundo – Fabio Rodrigo
  • Eu Não Sou Um Robô – Gabriela Richter Lamas, Maurílio Almeida, Felipe Yurgel, Lívia Pasqual, Guilherme Cerón, Rafael Duarte
  • Fazemos da memória nossas roupas – Maria Bogado
  • Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé – Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra
  • Lyz Parayzo Artista do Fim do Mundo – Fernando Santana
  • Milton Freire, um grito além da história – Victor Abreu
  • O Ciclope – Guilherme Cenzi, Pedro Achilles
  • O Jardim Fantástico – Fábio Baldo e Tico Dias
  • O Mundo Mineral – Guerreiro Do Divino Amor
  • Os Últimos Românticos do Mundo – Henrique Arruda
  • Para Colorir – Juliana Costa
  • Per Capita – Lia Leticia
  • Performatividades do Segundo Plano – Frederico Benevides e Yuri Firmeza
  • Perifericu – Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira
  • Rocha Matriz – Cristal Líquido (Gabriel Menotti e Miro Soares)
  • sem título # 6 : o Inquietanto – Carlos Adriano
  • Ser Feliz No Vão – Lucas H. Rossi dos Santos
  • URUBÁ – Rodrigo Sena
  • Vagalumes – Léo Bittencourt
  • Vento Seco – Daniel Nolasco
  • Vil, má – Gustavo Vinagre