Conheça as histórias reais por trás de 5 filmes que concorrem ao Oscar

Andra Day (à esquerda) interpreta a cantora Billie Holiday (à direita) no filme “Estados Unidos vs Billie Holiday”, que concorre a uma estatueta no Oscar (Arte sobre fotos: Divulgação, Paramount Pictures / William P. Gottlieb, Divisão de Música da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos)

A 93ª edição do Oscar, premiação mais pop do cinema mundial, que precisou ser adiada em dois meses por conta da pandemia, será realizada na semana que vem (domingo, 25 de abril). A cerimônia será realizada pela primeira vez na Union Station, em Los Angeles, e terá entre seus apresentadores nomes como Harrison Ford, Brad Pitt e Reese Witherspoon.

Neste ano, o filme que conta com mais indicações é Mank, dirigido por David Fincher e estrelado por Gary Oldman, que conta a história do roteirista Herman J. Mankiewicz, notável por sua parceria com o diretor Orson Welles em Cidadão Kane (1941). Além de Mank, outros filmes notáveis da lista de indicados à estatueta se inspiram em histórias reais para criar obras de ficção: é o caso de A Voz Suprema do Blues, filme indicado a cinco troféus no Oscar que acompanha a trajetória da cantora Ma Rainey, conhecida como a “mãe do blues”, e Os 7 de Chicago, que tem seis indicações e relata o julgamento de sete manifestantes contra a Guerra do Vietnã que acabaram no banco dos réus em 1969.

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Conheça abaixo a história real por trás de cinco filmes indicados ao Oscar de 2021:

1. Estados Unidos vs Billie Holiday e a cantora como símbolo da guerra às drogas

Uma das maiores vozes da música norte-americana – e, por que não dizer, mundial -, Billie Holiday (1915-1959) é a figura central de Estados Unidos vs Billie Holiday. O filme, dirigido por Lee Daniels, disputa a estatueta de Melhor Atriz no Oscar deste ano, pela atuação de Andra Day no papel principal.

Baseado no livro Chasing the Scream, de Johann Hari, o longa-metragem acompanha uma perseguição pública do departamento de drogas do governo norte-americano à uma das maiores estrelas da música nos anos 1940: enquanto Billie Holiday se recusa a parar de cantar seu hit Strange Fruit, que denuncia os linchamentos a pessoas negras nos Estados Unidos, os agentes do governo criam uma trama para condená-la por abuso de drogas e álcool.

Estados Unidos vs Billie Holiday ainda não tem data de estreia no Brasil, mas está disponível na plataforma de streaming Hulu.

2. A Voz Suprema do Blues e a força da cantora Ma Rainey, uma precursora no blues

Indicado a cinco estatuetas no Oscar, A Voz Suprema do Blues ficará marcado como o último filme da carreira de Chadwick Boseman (1976-2020) – e uma de suas melhores performances à frente das câmeras. No longa, o ator interpreta um dos músicos da banda de apoio da cantora Ma Rainey (1886-1939), personagem real e essencial na história da música negra norte-americana.

Uma das primeiras cantoras negras profissionais, a “Mãe do Blues” é interpretada por Viola Davis e apresentada como uma cantora talentosa que precisa ser firme em seus posicionamentos para lidar com o racismo e o machismo de produtores musicais e executivos que criam um ambiente hostil e tenso durante as gravações de um disco da artista.

O filme está disponível na plataforma de streaming Netflix.

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3. Os 7 de Chicago, os protestos contra a Guerra do Vietnã e o racismo institucional na corte

Repleto de estrelas do cinema, como Sacha Baron Cohen, Joseph Gordon-Levitt e Eddie Redmayne, Os 7 de Chicago conta a história de um protesto contra a Guerra do Vietnã que terminou em confronto entre policiais e manifestantes durante a Convenção Nacional Democrata de 1968, em Chicago. O caso acaba levando aos tribunais um grupo heterogêneo de manifestantes, formado por universitários brancos de classe média, hippies, um pacifista e um líder dos Panteras Negras.

Dirigido e roteirizado por Aaron Sorkin, o filme traz à tona e joga à luz da atualidade temas como racismo estrutural, violência policial, polarização e combate a ações violentas de Estado usando um acontecimento real e marcante na história recente norte-americana.

O filme está disponível na plataforma de streaming Netflix.

4. Judas e o Messias Negro, um retrato interno da relação entre os Panteras Negras e as autoridades norte-americanas

Mais um filme que trata de acontecimentos reais do passado com ecos em dilemas contemporâneos, Judas e o Messias Negro, dirigido por Shaka King, mostra os bastidores da luta por igualdade racial perpetrada pelos Panteras Negras nos anos 1960. O filme acompanha a trajetória do ativista Fred Hampton, interpretado por Daniel Kaluuya, sua ascensão a líder do grupo no estado de Illinois e sua morte, causada após uma conspiração entre a polícia de Chicago e o FBI.

O filme recebeu seis indicações ao Oscar deste ano e já estreou nos cinemas brasileiros.

5. Mank e os bastidores de uma das maiores obras do cinema

Filme recordista de indicações ao Oscar nesta edição, Mank concorre a 10 estatuetas: com Gary Oldman no papel do roteirista Herman Mankiewicz, o filme acompanha o processo de escrita de um dos maiores clássicos da história da cinema, Cidadão Kane.

O longa é inspirado a história real de pressões e discussões envolvendo Mank e Orson Welles, o diretor de Cidadão Kane: a dupla manteve richas e disputas até o momento de maior consagração do filme, durante o Oscar de 1942, ao qual foi indicado a 9 estatuetas (uma a menos do que Mank). Com estética que remete aos anos 1940, todo em preto e branco e com transições que homenageiam o grande clássico escrito por Mankiewicz, Mank foi escrito pelo pai do diretor David Fincher, Jack Fincher, e ficou engavetado por mais de 30 anos.

Mank está disponível na plataforma de streaming Netflix.