Exposição virtual destaca a vida e a obra do compositor Alberto Nepomuceno

Alberto Nepomucento. Foto: Acervo do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

A terceira exposição virtual em formato e-book do Theatro Municipal do Rio de Janeiro estará disponível ao público a partir desta segunda-feira (31/8), e, dentro da Série Compositores no Municipal, terá como tema Alberto Nepomuceno: A Brasilidade como Missão. A mostra reúne pesquisa da historiadora Fátima Cristina Gonçalves, com documentos e imagens presentes no acervo do Centro de Documentação do Theatro.

Durante a pesquisa, surgiram diversas curiosidades envolvendo Alberto Nepomuceno (1864 – 1920), como, por exemplo, a rede abrangente de amigos do compositor que figuraram na cultura da Primeira República (1889 a 1930), como Machado de Assis, Coelho Netto, Eliseu Visconti, os irmãos Henrique e Rodolfo Bernardelli, Antonio Parreiras, Leopoldo Miguez, Francisco Braga, Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense e a primeira maestrina brasileira, Chiquinha Gonzaga. A convivência com companheiros da Academia, mas também a frequência em saraus e cafés com amigos ligados ao universo popular influenciou as composições de Nepomuceno, que, muito antes da famosa Semana de 1922, já estava atento aos temas e ritmos presentes na cultura brasileira.

Culto, irreverente e eclético, Nepomuceno inovou o mundo da música, atraindo críticos mordazes, como Oscar Guanabarino, comentarista de O Paiz, que via suas composições como profanações da erudição e desserviço à pátria e sua regência como incerta. Mas o legado de Nepomuceno para a música é inequívoco pelas composições das óperas Artêmis, Abul e a inacabada O Garatuja, além de músicas sacra, vocal, instrumental, de câmara e orquestral, que tem na Série Brasileira – que reúne Alvorada na Serra (1892), Intermédio (1891), A Sesta na Rede (1896) e Batuque (1888) – sua marca na cunhagem da brasilidade.

A generosidade de Nepomuceno e também a de seu amigo Francisco Braga, ambos compositores, maestros e professores do Instituto Nacional de Música, abriu todos os caminhos para a inserção de um jovem violoncelista no rol de compositores: Heitor Villa-Lobos.

No ano do centenário de morte de Nepomuceno, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro está também homenageando o compositor com a campanha #NepomucenoEmcasa. Todas as segundas e quartas, às 12h, são apresentados vídeos na programação no Facebook com canções de Nepomuceno, considerado o pai do nacionalismo da música erudita brasileira. Unindo o canto e a poesia, #NepomucenoEmCasa conta com os cantores do Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dirigidos e acompanhados ao piano pela maestrina Priscila Bomfim. O público poderá ouvir suas canções, essenciais no repertório brasileiro, não só pelas características musicais, mas também pela riqueza dos poemas de autores consagrados da literatura brasileira.