Filme “Brasa” analisa a nova criação musical artística brasileira

Negro Léo. Foto Build Up Media/Divulgação

É fato que vivemos um momento muito criativo na nova música brasileira, mas ao mesmo tempo é um período em que a criação artística muitas vezes é atropelada pela correria do dia-a-dia e pelo modo que consumimos. Mas por que, então, muitos artistas ainda trabalham com o formato disco? O que é essa força que motiva a criar? Entre depoimentos reais e momentos de delírio, Marcelo Perdido e Bruno Graziano buscam essas respostas no filme Brasa em uma estética atemporal com destaque para a voz, falada e cantada.

Os entrevistados estavam todos em momentos diferentes da carreira. Marcelo Jeneci estava indo para o seu terceiro disco, após fazer uma transição para o mainstream. Rafael Castro repensava se gostaria de continuar produzindo discos. Nana é uma artista baiana que vive em Berlim e sempre criou no seu homestudio.

Anelis Assumpção tinha sido contemplada por um edital e pela primeira vez pode pagar o valor justo aos que trabalharam no disco Taurina. Luiza Lian se despedia de seu segundo álbum para começar a trabalhar no premiado Azul Moderno. Tatá Aeroplano e Negro Léo eram os mais experientes em suas discografias – os dois somados ultrapassavam 20 lançamentos.

Bárbara Eugênia ia começar a gravar seu quarto álbum e João Erbetta tem inúmeros discos solo além de alguns à frente da banda Los Pirata. Mas o comum entre eles e os diretores é a visão de criar como um ofício.

Imagem: Build Up Media/Divulgação

“Na última década, Marcelo fez os discos dele e eu fiz os meus filmes. Produzimos e lançamos obras regularmente independente das condições que tínhamos. Eu estava na Bahia rodando um filme e ele morando em Lisboa gravando um disco, e combinamos que na volta a São Paulo faríamos um filme juntos sobre o processo criativo. Os discos poderiam ser livros, filmes, quadros ou esculturas, uma obra imersa num conceito do início ao fim. O que fica pra mim é a certeza de que o que importa é não deixar de produzir”, conta Bruno Graziano, que dirigiu filmes como A Primeira Vez no Cinema Brasileiro (2013) e Baderna (2018).

Já Marcelo Perdido é um cantor, compositor e videoartista carioca radicado em São Paulo com cinco discos autorais lançados. Parte dele o olhar musical da obra, a pesquisa e a proposta para que o filme fosse uma homenagem à voz, seja na quase ausência de trilha sonora ou nas músicas cantadas pelos artistas à capela. “O filme tem essa pretensão de ser inspiracional, seja para artistas fazerem seus discos mas também pessoas continuarem a viver seu sonho e propósito, seja ele qual for”, conclui Perdido.

Luiza Lian. Foto: Build Up Media/Divulgação

Assista ao filme Brasa: