Jorge Helder lança disco com participações de Chico Buarque e Dori Caymmi

Jorge Helder. Foto: Nelson Faria/Divulgação

 

Um álbum que “refina a tradição de música instrumental e traz a canção para dentro dela como ninguém”. É assim que Caetano Veloso classifica o primeiro trabalho autoral de Jorge Helder, compositor e arranjador nascido em Fortaleza e radicado no Rio de Janeiro há 34 anos. Foi na capital fluminense que o músico passou a ser requisitado pelos mais célebres cantores da música popular brasileira para fazer parte de seus conjuntos musicais, seja para entrar em estúdio ou cair na estrada em turnê.

Helder já participou de mais de 350 discos, tocando ao lado de Chico Buarque, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, João Bosco, Miúcha, Maria Bethânia, Gal Costa, Elza Soares, Roberto Carlos, Rosa Passos, Joyce Moreno e Adriana Calcanhotto, entre outros. Mas faltava em sua discografia um trabalho para chamar de seu.

Neste mês, o Selo Sesc, a gravadora do Sesc São Paulo, lança Samba Doce, disco com um repertório de samba-jazz inteiramente autoral assinado pelo contrabaixista das estrelas da música brasileira. O álbum chega com exclusividade ao Sesc Digital nesta sexta-feira (18/9) e nos demais players de streaming em 23 de setembro.

Samba Doce reúne mais de 40 artistas em 10 faixas, todas compostas por Jorge Helder, sendo metade delas em parceria com Chico Buarque, Aldir Blanc e Rosa Passos. “Eu quis convidar vários músicos com os quais trabalhei e aprendi ao longo da carreira. Cada faixa tem uma formação diferente pensando no estilo musical de cada um, abarcando diferentes sensibilidades”, destaca Helder.

De família musical, com passagem por um grupo de chorinho e uma banda de rock na infância e adolescência, em Samba Doce ele intercala o contrabaixo com o baixo elétrico, ficando de fora apenas da faixa Vagaroso, que traz Paulo Aragão (arranjo de cordas), Nailor Proveta (sax alto), Marcos Nimrichter (piano) e a Orquestra de Cordas de São Petersburgo.

Abrindo o disco, tem a sofisticação instrumental da faixa-título, composta em 2017 e interpretada com a maestria do trio formado por Jorge Helder (contrabaixo), Lula Galvão (violão) e Erivelton Silva (bateria). Na sequência, uma lembrança à obra do grande compositor Aldir Blanc com a canção Dorivá, cuja letra, de sua autoria, é uma homenagem a Dorival Caymmi e que em Samba Doce é cantada por Dori Caymmi.

A parceria com Chico Buarque é de longa data. Desde 1993, o mestre do contrabaixo participa da gravação de discos e de shows do cantor e compositor, pelo Brasil e no Exterior. O ponto de partida dessa combinação musical se deu com uma turnê na Europa seguida pelo disco Paratodos.

A primeira parceria, Bolero Blues, foi feita em 2006 e gravada no álbum Carioca. O momento no qual Chico contou-lhe que havia feito uma letra para a sua música tem um registro audiovisual – conhecido pela reação emotiva de Helder – está no documentário Desconstrução, DVD sobre os bastidores da gravação do disco.

 

Chico Buarque e Jorge Helder. Foto: Maria Carolina Rodrigues/Divulgação

 

Em Samba Doce eles dividem a autoria de Bolero Blues, com Chico no vocal, de Rubato, que traz a participação do cantor Renato Braz, e do bolero Casualmente, faixa que encerra o álbum e cantada pelo grupo Boca Livre – formado por Zé Renato, David Tygel, Lourenço Baeta e Mauricio Maestro.

A cantora Rosa Passos interpreta a parceria Inocente Blues, um blues abrasileirado. Das 10 composições selecionadas para o disco, a mais antiga é Tema Novo, escrita em 1983, quando Helder ainda morava em Brasília, antes de se mudar em definitivo para o Rio de Janeiro.

Sem muitas pretensões e feito de forma muito espontânea, o disco começou a ser gravado em 2013 e ao longo do tempo o projeto foi ganhando consistência. Com ilustração assinada pelo arquiteto, compositor e poeta Fausto Nilo – parceiro de trabalho de Geraldo Azevedo, Moraes Moreira e de tantos outros artistas –, a capa de Samba Doce foi inspirada em uma fotografia cujo instante é de crianças saltando em uma dança, dando a impressão de que flutuam.
Capa. Arte: Fausto Nilo/Reprodução