Maria Rita é atração do Projeto Casa Virtual

Foto: Bob Wolfenson/Divulgação

O Projeto Casa Virtual tem edição especial, no dia 30 de setembro, às 20h, dedicada ao Acervo Elis Regina. Com transmissão ao vivo pelo Instagram @ccmarioquintana, a cantora Maria Rita, filha de Elis, vai interpretar canções de seu repertório.

Antes da apresentação, às 19h, o jornalista Juarez Fonseca recebe para um bate-papo o também jornalista, músico, compositor e pesquisador da música, Arthur de Faria, que, em 2015, lançou o livro Elis – Uma Biografia Musical.

A conversa gira em torno do legado de Elis e da importância do nosso acervo, que é um dos maiores acervos públicos sobre a vida e obra da cantora porto-alegrense, uma das maiores da história da MPB comenta o diretor da CCMQ, Diego Groisman.

A ação encerra o mês de comemoração dos 30 anos da Casa de Cultura Mario Quintana – que iniciou as atividades em 25 de setembro de 1990 – e reafirma as diretrizes da instituição na valorização e preservação do patrimônio cultural.

O Acervo Elis Regina foi inaugurado em 2005, a partir da proposição do então diretor, Sérgio Napp, com o objetivo de incorporar ao principal centro cultural do Rio Grande do Sul um local de memória e homenagem àquela que é considerada uma das maiores cantoras brasileiras.

– O memorial foi constituído através de uma campanha pública, que chamou a população para ceder ao acervo itens relacionados à trajetória da cantora. A campanha reuniu um conjunto com mais de 450 itens, diversos deles em exposição no segundo andar da CCMQ – lembra Alexandre Veiga, diretor do Núcleo de Acervo e Memória da Casa de Cultura.

A coleção contempla discos de vinil em diferentes formatos, fotografias, revistas, recortes, cartazes e documentos em suporte tradicional. Alguns desses itens pertenceram à cantora ou foram produzidos por ela; outros são objetos e registros produzidos para discutir sua obra e dar evidência a homenagens prestadas. “A exposição é formada por mobiliários específicos, que apresentam uma trajetória cronológica da obra artística de Elis Regina a partir de discos e fotografias”, complementa Alexandre.

Entre os destaques, constam uma cópia da certidão de nascimento da cantora, de 1945, e fotografias que registram seus primeiros anos em Porto Alegre. Também há revistas, que destacam momentos da vida da cantora, e vários itens que indicam a forte presença de Elis na oposição ao Regime Militar. Um deles é a conhecida camiseta preta, que foi censurada por ter o nome de Elis onde deveria constar o lema “Ordem e Progresso”.

O acervo guarda ainda registros como a matéria do Coojornal – jornal da cooperativa de jornalistas de Porto Alegre –, em que Elis relata a coerção sofrida para que cantasse o Hino Nacional, e as lembranças da performance de O Bêbado e a Equilibrista, que se tornou o hino da Anistia, em 1979.

– A existência desse espaço dedicado à memória da Elis expressa um valor histórico e cultural marcante, pois demonstra que Porto Alegre soube valorizar a figura dessa cantora de monumental envergadura artística, a partir do lugar onde nasceu. Contar a trajetória de Elis, dentro de um dos mais significativos centros culturais da América Latina, faz do Acervo Elis Regina referência no tratamento aos que atuam nos palcos da cultura brasileira. É essa motivação que tem orientado a CCMQ ao longo dos seus trinta anos de existência, mostrando também a valorização de nosso patrimônio – reafirma o diretor do Núcleo de Acervo e Memória da Casa de Cultura Mario Quintana.

 

Foto: Vicente de Paulo/Divulgação