Mostra As Amazonas do Cinema vai exibir filmes dirigidos por mulheres

“A Mulher de Luz Própria”. Foto: Festival As Amazonas do Cinema/Divulgação

 

Filmes dirigidos e roteirizados por mulheres. Esse foi o principal critério para se chegar ao resultado de sete longas e 14 curtas documentários selecionados para as mostras competitivas do Festival As Amazonas do Cinema, cuja primeira edição será realizada dentro da programação do 6º Amazônia Doc – Festival Pan Amazônico de Cinema, que ocorrerá em setembro, pela plataforma de streaming AmazôniaFlix. A curadoria foi feita pela jornalista, roteirista e crítica de cinema Lorenna Montenegro, pela artista visual Carol Abreu, pela roteirista e cineasta Flávia Abtibol e pela produtora e também cineasta Zienhe Castro, diretora geral do 6º Amazônia Doc. Ao todo foram inscritos 50 filmes, habilitados a partir de critérios específicos desse festival, cuja iniciativa vem contribuir com a valorização do produto audiovisual do gênero documentário dirigido por mulheres.

“Mesmo em meio a um cenário de tantas incertezas, onde a cultura, tendo o audiovisual como a ponta do iceberg, diretamente atingida, a primeira edição do Festival Amazonas do Cinema, recebeu um número expressivo de inscrições”, comemora Carol Abreu.

“No processo curatorial, além de considerar as obras dirigidas e roteirizadas por mulheres, foram também analisadas as temáticas alinhadas com a proposta estética. “Fizemos uma seleção em cima dos recortes que a gente já vinha dimensionando nos debates da curadoria, como o primeiro critério que era de serem filmes dirigidos ou roteirizados por mulheres, mas terem uma representação feminina afirmativa”, diz Lorenna Montenegro.

 

“Dança sem Nome”. Foto: Festival As Amazonas do Cinema/Divulgação

 

Para Carol Abreu, participar da curadoria do festival, foi um grande desafio, “principalmente em função da potência desse recorte único da mostra. Visionar essas produções, especificamente feita por mulheres, confronta, discute e abre janelas, ressignificando a forma de produção e os olhares, e fomentando questões pertinentes sobre a abrangência do território da Pan Amazônia, e a elaboração do pensamento, além de mapear a representação feminina”, acredita.

Entre os selecionados, há filmes sobre a história de mulheres importantes para o Brasil, como A Mulher de Luz Própria, uma cinebiografia de Helena Ignez, considerada uma das principais figuras femininas do cinema brasileiro, dirigido e roteirizado por Sinai Sganzerla, sua filha. Há também histórias curiosas, como é o caso do Fakir, que traz imagens atuais de artistas contemporâneos que mantêm essa arte viva em apresentações e shows, com direção de Helena Ignez.

Em Rosa de Vênus, um documentário experimental, é abordado o sagrado feminino e a ancestralidade na América Latina. “É um filme híbrido, mistura os gêneros documentário e ficção, fazendo um recorte entre Brasil e México”, comenta Lorenna. “E temos também documentário político, bem representado pelo longa Um Conto de Duas Cidades de Empresas, de Priscilla Brasil, que vai falar da Serra do Navio, no Amapá, que foi durante muito tempo um local de exploração do minério, mas quando encerrou a mina, pouco deixou de desenvolvimento, de fato, para as pessoas que ficaram por lá”, continua.

 

A diretora Priscilla Brasil. Foto: Festival As Amazonas do Cinema/Divulgação

 

Outro destaque é Mulheres que Alimentam, que se passa em uma comunidade Pataxó, na Bahia. “Temos nesse filme a representação de mulheres indígenas e quilombolas daquela região, tentando sobrevier as ameaças que as cercam”, segue Lorenna. Já em Portunhol se discute essa questão de fronteiras entre brasileiros e bolivianos e de como eles conseguem conviver neste locais. “Vamos entender a questão da língua, da assimilação cultural, preconceitos, mas também os pontos em comum utilizados para resistir nas fronteiriças da América do Sul”, analisa a crítica e roteirista.

Lorenna também explica que essa primeira edição é um embrião para o festival que se deseja. “Queremos pensar muito mais nesse lugar das mulheres que realizam filmes na Amazônia Legal e que pensem nessas temáticas de representação das mulheres neste território. Nesta edição há filmes de todas as regiões do país, mas apenas um do Pará, por isso, sentimos que precisamos mobilizar mais as realizadoras daqui e da pan-Amazônia, para que possamos ter, nesse festival, a voz destas mulheres e poder integrar essas realizadoras, cineastas e produtoras da região”, conclui.

Além de trazer histórias contadas por meio de um olhar feminino e amazônico, o festival também vai homenagear uma grande personalidade da cultura amazônica, entregando o Troféu Eneida de Moraes às vencedoras. Mulher da Literatura, importante militante política e ativista cultural, a escritora foi fundadora do Museu da Imagem e do Som – Pará, em 1971, ano que ela faleceu.

 

“Até o Fim do Mundo”. Foto: Festival As Amazonas do Cinema/Divulgação