Museu de Arte Moderna de São Paulo anuncia programação de 2021

“Índios”, década de 1930, de Regina Gomide Graz. Foto: MAM/Divulgação

Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta sua programação de 2021 com novas mostras em seus espaços expositivos e ações online voltadas ao público de todas as idades. A programação traz cinco mostras inéditas, são desde projetos que discutem os cem anos da Semana de Arte Moderna de 1922 e o acervo do museu, até exposição que reúne obras de artistas oriundos de diversos povos indígenas.

Entre as novidades do MAM para 2021 está também, a nova Comissão de Artes composta pelos curadores Claudinei Roberto da Silva (São Paulo), Cristiana Tejo (Recife/ Lisboa) e Vanessa K. Davidson (Austin). Junto, o trio terá a missão de assessorar o museu em questões relacionadas à curadoria e política de aquisição.

Para escolha dos novos membros, a Presidência e Curadoria do MAM, composta, respectivamente por Mariana Guarini Berenguer e Cauê Alves, buscaram profissionais com larga experiência em educação em museus e pesquisas que dialogam com o campo da arte brasileira e latino-americana, e se baseou em requisitos como a diversidade étnica e de gênero, como também a descentralização regional – uma vez que o trio é de diferentes regiões e nacionalidades.

Programação 2021

Até 21 de março, o museu apresenta a mostra retrospectiva de Antonio Dias (1944 – 2018), artista paraibano, figura de singular trajetória na arte contemporânea brasileira e autor de uma obra multimídia, carregada de engajamento social e político, e de ironia e sensualidade. Com curadoria de Felipe Chaimovich, a exposição reúne obras emblemáticas, todas elas integrantes do acervo pessoal do artista.

No mesmo período, fica em cartaz a mostra que celebra os 20 Anos do Clube de Fotografia do MAM. Com curadoria de Eder Chiodetto, a exposição que celebra as duas décadas do clube ocupa a Sala Paulo Figueiredo com obras de mais de cem artistas – Berna Reale, Cláudia Andujar, Miguel Rio Branco e outros – e homenageia Mário Cravo Neto.

De abril a julho, o museu inicia a discussão dos cem anos da Semana de Arte Moderna de 1922 com uma exposição que homenageia a família Gomide Graz – pioneira na introdução de composições geométricas abstratas no Brasil por meio de objetos utilitários. Com curadoria de Maria Alice Milliet, a mostra reúne obras de Regina Gomide Graz, Antônio Gomide e John Graz na Sala Milu Villela e leva ao público um diálogo entre artes visuais e design enquanto vertente moderna brasileira oriunda da Semana de 22, mas pouco conhecida atualmente.

“Composição com Figuras” (1925), de Regina Gomide Graz. Foto: MAM/Divulgação

No mesmo período, o Projeto Parede recebe a obra Campo Fraturado, da artista Ana Maria Tavares. Composta por imagens manipuladas digitalmente, o trabalho traz questionamentos da artista acerca das relações entre design, ordem e estrutura, entre natureza e artifício, entre pureza e contaminação.

A obra tem como inspiração a série Airshaft (para Piranesi), em desenvolvimento desde 2008 por Ana Maria, formada por imagens digitais, vídeo e videoinstalação – as quais estabelecem, desde o início, um diálogo afinado com a obra Carceri d’Invenzione, do século 18, de autoria de Giovanni Battista Piranesi.

De agosto a dezembro, ainda como parte das comemorações da Semana de Arte Moderna, o MAM apresenta a exposição Moderno Onde? Moderno Quando? Modernismo e a Semana de 22. Com curadoria das críticas de arte e professoras Aracy Amaral e Regina Teixeira de Barros, a mostra ocupa a Sala Milu Villela e explora a amplitude da emblemática Semana de 1922 com obras de todo o Brasil, enfatizando que a arte moderna não esteve restrita apenas a São Paulo.

O corpo expositivo é formado por trabalhos de nomes icônicos da história da arte brasileira, como Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Rego Monteiro, Victor Brecheret, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Ismael Nery Cícero Dias. Destaque, também, para maquetes dos arquitetos Victor Dubugras, Antonio Garcia Moya, Gregori Warchavchik e Flávio de Carvalho. Figuram, ainda, obras de antecessores do período como Eliseu Visconti, Belmiro de Almeida, Artur Timóteo da Costa, Mário Navarro da Costa, Pedro Weingärtner, Henrique Alvim Corrêa e Hélios Seelinger.

“A Despedida” (1930), de Antonio Gomide. Foto: MAM/Divulgação

De agosto a dezembro, na outra ponta do museu, na Sala Paulo Figueiredo, o público poderá conhecer a exposição Moquém – Surarî: Arte Indígena Contemporânea, que integra a programação da 34ª Bienal de São Paulo. Com curadoria de Jaider Esbell, assistência de curadoria de Paula Berbert e consultoria de Pedro Cesarino, a mostra reúne trabalhos de artistas dos povos Baniwa, Huni Kuin, Karipuna, Krenak, Marubo, Makuxi, Patamona, Pataxó, Tapirapé, Taurepang, Tikmu’un_Maxakali, Tukano, Xakriabá, Xirixana, Wapichana e Yanomami.

Serão exibidos desenhos, pinturas, fotografias e esculturas que se referem às transformações visuais do pensamento cosmológico e narrativo ameríndio, apontando para a profundidade temporal. Segundo o corpo curatorial, o tempo da arte indígena contemporânea não é refém do passado, mas antes o mobiliza no presente para reconfigurar posições enunciativas, relações de poder e impasses civilizatórios.

Segundo Cauê Alves, curador do MAM São Paulo, “a programação de 2021 propõe um olhar contemporâneo sobre o modernismo e, além disso, pressupõe uma reflexão atualizada que amplia os sentidos e a compreensão sobre a arte moderna no Brasil. Ter a mostra Moderno Onde? Moderno Quando? Modernismo e a Semana de 22 ocorrendo ao mesmo tempo que Moquém – Surarî: Arte Indígena Contemporânea permite um diálogo entre a visão que os artistas modernos tinham do indígena, o modo como incorporaram a noção de antropofagia, ao lado da produção atual de artistas indígenas”.

Encerrando a programação de 2021, de dezembro a março de 2022, o museu apresenta Coleção, Conservação e Restauro no Acervo do MAM. Com curadoria de Cauê Alves e da equipe do MAM, a exposição é fruto de um intenso processo de inventário de suas coleções, com cerca de 5,7 mil obras, realizado desde março de 2020 pelo Núcleo de Conservação do Acervo e o Núcleo de Acervo Documental.

Simultaneamente à exposição, um ateliê de restauro será instalado no espaço expositivo, que promoverá o aspecto educativo da mostra com oficinas e ações que abordem as relações entre os trabalhos da Curadoria, Acervo e do Educativo no MAM.

O museu apresentará, ainda, uma ampla programação online nos seus canais digitais como parte das iniciativas culturais e educativas disponibilizadas pela instituição ao público, a exemplo de lives e conteúdos nas redes sociais, encontros educativos por videoconferência e lançamento de minidocumentários sobre as mostras, dando continuidade ao #MAMonline.

Os ingressos serão disponibilizados apenas online e com hora marcada. O número de pessoas por sala é limitado, o uso de máscara é obrigatório e dispositivos de álcool gel estão distribuídos em pontos estratégicos do museu.

Sobre o MAM São Paulo

Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas.

O museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de audioguias, videoguias e tradução para a língua brasileira de sinais. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi adaptado por Lina Bo Bardi e conta, além das salas de exposição, com ateliê, biblioteca, auditório e restaurante. Os espaços do museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.

“Pastoral” (1926), de John Graz. Foto: MAM/Divulgação