SP-Arte Viewing Room reúne mais de 130 expositores

“Buruburu” (2020), performance de Ayrson Heráclito. Foto: Portas Vilaseca/Divulgação

 

De 24 a 30 agosto, acontece a primeira edição do SP-Arte Viewing Room, feira que reúne em um único ambiente digital 136 expositores, entre os quais marcam presença galerias de arte e design expoentes no mercado nacional e internacional, editorasrevistas, coletivos e projetos artísticos independentes. Seguindo as tendências mundiais, em que as instituições e feiras de arte vêm digitalizando suas operações, a SP-Arte decidiu lançar sua primeira edição online dentro de seu site, que recebe em média 40 mil visitas mensais. Durante os sete dias do evento, o público poderá conferir fotografias, vídeos, pinturas e trabalhos em diferentes suportes de artistas representados por casas como Almeida e Dale (São Paulo), Carpenters Workshop Gallery (Londres), Galleria Continua (San Gimignano), ETEL (São Paulo), Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo), Luciana Brito Galeria (São Paulo), Galeria Nara Roesler (São Paulo), Galeria Millan (São Paulo), Galeria Paulo Darzé (Salvador), Galeria Kogan Amaro (São Paulo) e Passado Composto Século XX (São Paulo), além de coletivos e projetos artísticos como Levante Nacional Trovoa (São Paulo) e Plataforma 01.01 (São Paulo).

“O SP-Arte Viewing Room foi pensado como uma plataforma imersiva e democrática, que reúne expositores dos mais variados perfis e obras em diferentes suportes de milhares de artistas; são nomes já reconhecidos no circuito e também artistas jovens, em início de carreira. Ainda adaptamos nossa programação ao ambiente online e traremos importantes atividades para que a arte ocupe a cidade – dessa vez, entrando na casa de todos os nossos visitantes”, afirma Fernanda Feitosa, diretora e fundadora da SP-Arte.

Na página de cada galeria, o visitante poderá percorrer um projeto expositivo com até 30 obras de um ou mais artistas – tudo isso facilitado por uma navegação inteligente. O expositor conta ainda com diversas ferramentas como a possibilidade de inclusão de vídeos e áudios para criar uma narrativa única em torno de sua exposição digital, enriquecendo a experiência do usuário. Caso haja o interesse por algum trabalho disponível no site, apenas um clique em “Contactar galeria” já permite que a galeria e o potencial comprador iniciem uma conversa, por meio de um chat da plataforma, Whatsapp ou e-mail.

ARTE

Maior feira de arte da América Latina, a SP-Arte reúne anualmente as galerias mais influentes do circuito das artes, bem como jovens expositores, que, muitas vezes, se estabelecem no mercado ao participarem do evento. Sua estreia no formato digital segue pelo mesmo caminho. A galeria Vermelho (São Paulo), assídua na Feira física, traz ao Viewing Room um panorama com artistas mulheres de diversas gerações, de Carmela Gross a Lia Chaia, e lança luz em obras já expostas em importantes mostras institucionais. Exibem ainda trabalhos inéditos de Clara Ianni, Edgard de Souza e Marcelo Cidade.

Fortes D’Aloia & Gabriel (São Paulo), também veterana da Feira, apresenta uma seleção de obras inéditas. São esculturas de Barrão e de Erika Verzutti, aquarelas de Efrain Almeida, instalações de Iran do Espírito Santo, fotografias de Mauro Restiffe e desenhos e esculturas de Nuno Ramos.

Comemorando sete anos no dia da abertura da Feira, 24 de agosto, a Verve (São Paulo) relembra sua trajetória e traz ao público um projeto inédito. “Verve”, em grego, indica o espírito que anima a criação do artista – ideia a qual a galeria pretende traduzir por meio de trabalhos de nomes como Felippe Moraes, Giselle Beiguelman e Tales Frey.

Conhecida por ocupar espaços inusitados, como um cinema em Havana, em Cuba, e um antigo teatro em San Gimignano, na Itália, a Galleria Continua (San Gimignano) inaugurou em janeiro sua unidade brasileira dentro do emblemático Estádio do Pacaembu. No Viewing Room, a galeria organiza seu projeto expositivo em torno do conceito de movimento. Para tanto, exibe trabalhos de artistas como a indiana Shilpa Gupta, do cubano Yoan Capote e do brasileiro André Komatsu, representantes de uma geração de jovens artistas que contestam movimentos de aspirações regionais, dissimuladas em atividades patrióticas nocivas ao seu próprio povo. Continua expõe ainda obras dos icônicos Carlos Garaicoa e Michelangelo Pistoletto .

Artespacio (Santiago), galeria que trabalha com tendências da arte chilena do século 21 e também busca resgatar artistas tradicionais de seu país, estreia na Feira online com obras de Benjamin Ossa, Francisca Benedetti e Francisca Garriga, artistas chilenos que trabalham a experimentação das cores em diferentes materiais, e também peças de Máximo Corvalan-Pincheira, Leonardo Finotti e Glenda León, cujas pesquisas dialogam com diversos meios.

Também da América Latina, a Ginsberg (Peru), apresenta uma seleção de artistas que desafiam paradigmas da sociedade contemporânea, a exemplo de Wynnie Mynerva, que discute as políticas da estética queer e outras questões de gênero por meio de pinturas, e de Pablo Ravina, com obras que investigam como movimentos como Black Lives Matters e Me Too estão sendo afetados pelas plataformas digitais.

A HOA (São Paulo), galeria de arte e organização artística fundada em 2020 pela artista Igi Lola Ayedun, tem um trabalho dedicado à arte contemporânea latino-americana e usa a internet como ponto focal para suas ações. No SP-Arte Viewing Room, a HOA exibe um projeto inédito, com curadoria coletiva assinada por Felipa Damasco, Lucas Andrade, Luiz Felipe Lucas e Lucas Fernandes, e obras de artistas como Castiel Vitorino Brasileiro, Jota Mombaça, Musa Michelle Mattiuzzi, Lídia Lisboa e Davi Jesus do Nascimento.

Também debutando na Feira, a 01.01 Art Platform foi criada por artistas e curadores africanos e brasileiros, e é apoiada por instituições no Reino Unido, Portugal e Gana. Com o objetivo de rever as antigas rotas comerciais da escravidão em um circuito de intercâmbio cultural que promove maneiras justas de coletar e consumir arte, a 01.01 Art Plataform promove artistas emergentes e intensifica a pesquisa de artistas estabelecidos, propondo que os colecionadores não apenas consumam arte, mas também participem de um empreendimento maior voltado para um mercado mais saudável para todos. No SP-Arte Viewing Room, vão apresentar obras do jovem artista Moisés Patrício e do norte-americano de 83 anos, Melvin Edwards.

Estreiam ainda o Levante Nacional Trovoa, coletivo de artistas visuais e curadoras racializadas fundado em 2017, e o recém-nascido Projeto Vênus, escritório de arte do curador Ricardo Sardenberg, dedicado a interagir com a arte contemporânea brasileira e, em particular, com a sua versão paulistana. Trovoa apresenta trabalhos de Aline Besouro, Bárbara Milano, Bianca Leite, Carla Santana, Cyshimi, Gabriela Monteiro, Hariel Revignet, Juliana Araújo, Keila Serruya Sankofa, Mitsy Queiroz, Mônica Ventura, Raylander Mártis dos Anjos e Sheyla Ayo. Já a Vênus reúne obras de Adriana CoppioCamile Sproesser e do convidado Efrain Almeida, com trabalhos inspirados em animais.

DESIGN

Os limites tênues entre as artes visuais e o design integram uma discussão cada vez mais assídua no circuito das artes. Na SP-Arte, desde a criação do setor Design em 2016, ambos os segmentos têm espaço para se manifestarem nas mais variadas formas, convivendo com ainda mais proximidade. E no SP-Arte Viewing Room não será diferente. Este é o primeiro evento digital em que as duas linguagens convivem num único espaço. Com cerca de 20 expositores que trazem o melhor do design autoral, a Feira online reúne em um único ambiente lançamentos do setor e coleções emblemáticas.

Carpenters Workshop (Londres), uma das precursoras da arte funcional, estreia no SP-Arte Viewing Room com peças únicas do designer e artista espanhol Nacho Carbonell, uma mesa em mármore desenvolvida pelo icônico designer alemão Karl Lagerfeld, e com as luminárias Fragile Future, da dupla holandesa Studio Drift, cujas peças já foram exibidas no museu Stedelijk, em Amsterdã, e na galeria Giorgio Franchetti durante a 58ª Bienal de Veneza. Além disso, a galeria também apresenta obras dos Irmãos Campana, que neste ano completam 35 anos de trajetória, data que seria comemorada em março pela maior exposição já dedicada à dupla no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, mas suspensa por conta da pandemia da Covid-19.

“O SP-Arte Viewing Room nos pareceu a ocasião perfeita para fazer a primeira apresentação de nossas produções, que são marcadas pela relação simbiótica das duas áreas”, afirma Maria Bonta, diretora da Carpenters.

Enquanto isso, as representantes brasileiras do Design apresentam as suas mais novas coleções na Feira online. Tradicional participante da SP-Arte, ,Ovo (São Paulo) apresenta seu novo selo ,Ovo Public, que tem como principal fim levar mobiliário de qualidade para espaços de uso coletivo. A galeria, com o intuito de expandir o alcance de seus desenhos para além de casas residenciais, ocupando espaços da cidade, já desenvolveu projetos para a Pinacoteca do Estado e para o SESC 24 de Maio. Entre as obras selecionadas para o Viewing Room estão as peças em parceria com Paulo Mendes da Rocha + MMBB, que juntos assinam a Linha 22, composta de cadeiras, poltronas, sofá e mesa de apoio. WENTZ (São Paulo), um dos finalistas do Prêmio Casa Vogue 2019, apresenta em seu projeto a peça laureada na premiação, a Poltrona Baixa. O designer expõe ainda sua nova peça Sofá Baixo, que traz um conceito de sentar mais intimista, informal e aconchegante.

Inspirada na Amazônia, Jaqueline Terpins (São Paulo) apresenta peças em cristal soprado que remetem generosamente aos cheiros, sons, texturas, tramas e uma multidão de formas da região. Noemi Saga (São Paulo), por sua vez, exibe sua nova coleção Bichos do Brasil, composta por objetos em madeira, decorativos e colecionáveis, que representam animais da fauna brasileira. Além de cada peça ser numerada e ter uma intervenção gráfica, os olhos redondos e profundos são características dos bichos representados na coleção .

A renomada ETEL (São Paulo) apresenta um projeto expositivo focado na representatividade feminina no design brasileiro, com destaque para a coleção inédita e limitada desenvolvida em parceria com Inês Schertel. São cinco peças criadas a partir do conceito de slow design. A lã natural vem das ovelhas criadas por Schertel em sua fazenda e a madeira escolhida é a Perobinha-do-campo, espécie de tom claro e delicado, guardada há mais de 20 anos na xiloteca da ETEL. O público ainda poderá conferir peças assinadas pela nova artista Ana Berganton, e a série Perseidas, que reúne elementos versáteis criados por Clarissa Schneider exclusivamente para a galeria. Junto aos lançamentos, ETEL apresenta reedições de clássicos do mobiliário de Oscar Niemeyer e Jorge Zalszupin .

Passado Composto Século XX (São Paulo), conhecida por apresentar renomados nomes do design moderno brasileiro, faz uma apresentação focada em tapeçarias. As peças assinadas por nomes como Jean Gillon, Norberto Nicola, Silvio Vianna, Rubem Dario, Roberto Burle Marx e Jacques Douchez traduzem a beleza e diversidade dessa técnica. A galeria também expõe móveis do mestre do design moderno Joaquim Tenreiro .

PROGRAMAÇÃO

Por meio de uma intensa e dinâmica programação online e gratuita, a SP-Arte reforça seu papel enquanto plataforma de fomento à cultura no Brasil. São debates online, entrevistas com artistas e curadores, apresentação de trabalhos, entre outras atividades promovidas pela Feira e por nossos expositores, ao longo dos sete dias do evento digital.

De importantes obras de videoarte disponibilizadas nos projetos expositivos do SP-Arte Viewing Room a performances virtuais que têm sua estreia durante a semana da Feira, a programação de screening cria um rico catálogo de trabalhos veiculados por vídeo que estarão abertos para nossos visitantes. A galeria de design Mobilia Tempo lança um trabalho audiovisual inédito durante evento: o happening filmado “Geni de si”, que traz um diálogo entre diferentes linguagens artísticas como música, cinema, performance e design. A obra traz atuação de Lianne Matheus, música de Otto, direção de arte de Adriana Frattini e direção do fotógrafo Ruy Teixeira. Já a Galeria Nara Roesler reapresenta Ginástica de pele (2019), da paraense Berna Reale, trabalho no qual a artista critica a violência policial motivada por preconceito racial, de classe e da orientação sexual.

A programação de lives, voltada principalmente ao público que busca se aprofundar nas discussões das artes visuais, destrincha assuntos importantes que ecoam no debate artístico da contemporaneidade. A Galeria Jaqueline Martins promove uma conversa com André Parente, por ocasião do lançamento de Bandalha, obra na qual o artista utiliza as características formais da bandeira brasileira para bordar as frases proferidas por políticos do país em momentos marcantes do nosso presente histórico. Nacional Trovoa promove, entre tantas outras atividades, um encontro virtual ao vivo com as artistas Renata Felinto, finalista do Prêmio Pipa 2020, que discute em seu trabalho a questão da identidade negra feminina, e Ana Lira, cujas experiências artísticas buscam discutir vivências políticas e ações coletivas como processos de mediação. A curadora Carollina Lauriano conduz a conversa. Na esteira das discussões sobre corpo e raça, a galeria HOA promove a mesa Diálogos sobre a noite, corpo y ficção, com Jota Mombaça, Musa Michelle Mattiuzzi e Eduardo Araújo, e mediação de Aretha Sadick.

Durante a semana do SP-Arte Viewing Room o visitante terá acesso a aulas ministradas por palestrantes de renome, proporcionando a democratização do conhecimento e fomentando o debate das artes. A 01.01 Art Platform promove a master class Como desenvolver uma coleção decolonial?, ministrada por Keyna EleisonCamilla Rocha Campos e Ana Beatriz Almeida – integrantes da iniciativa que estimula uma renovação no mercado de arte em sua integridade, pensando não apenas a inserção de artistas, mas também uma mudança no tipo de colecionismo que é fomentado.

A galeria Vermelho (São Paulo) promove visitas online aos ateliês de artistas como Marcelo Moscheta, autor de uma obra multimídia, na qual pesquisa os deslocamentos por lugares remotos, fronteiras e limites, e Gabriela Albergaria, artista portuguesa radicada em Nova York, cujo trabalho envolve, especialmente, um território: a natureza. Por meio de fotografias, desenhos e esculturas, Albergaria explora a natureza manipulada, plantada, transportada, hierarquizada, catalogada, sentida e relembrada. Já a Galeria Simões de Assis promove visitas virtuais às exposições Defórmicas, com a artista Eliane Prolik, e Jorge Guinle: ao fim e ao cabo, com a curadora Vanda Klabin .

Confira programação confirmada para o SP-Arte Viewing Room neste link . Em breve, serão divulgadas datas, horários e outros detalhes.