Zé Celso Martinez Corrêa no “Camarim em Cena”

Zé Celso Martinez Corrêa. Foto: Bob Wolfenson/Reprodução

 

O Itaú Cultural coloca no ar neste sábado (22/8), às 14h, no seu site, uma edição especial do Camarim em Cena com o diretor, dramaturgo e ator Zé Celso Martinez Corrêa. O programa reúne conversas realizadas entre 2016 e 2019 na sede do instituto, com convidados da dança, do teatro e da música sobre seus processos de criação. Neste episódio da quarta temporada em versão online, apresenta a gravação feita em 2018 com o diretor. Realizada na sede do Teatro Oficina, na conversa com o jornalista e crítico teatral Nelson de Sá, ele fala sobre passagens de sua trajetória teatral e de sua atuação dentro e fora dos palcos na defesa do teatro brasileiro e da liberdade de expressão por meio da arte.

Zé Celso abre o bate-papo cantando: “Eu sou o teatro brasileiro, da vida o espelho verdadeiro, sambando nesse carnaval com a minha arte, que é imortal”, versos do samba enredo Quatro Séculos de Paixão – História do Teatro Brasileiro, defendido pela Vila Isabel no Carnaval de 1975. “Acredito realmente na eternidade do teatro”, assegura. “Se não, seria impossível você fazer uma peça de Shakespeare, fazer uma peça grega. É eterno, porque é natural. O teatro faz parte da vida humana. É a vida humana”, conclui.

O criador do Teatro Oficina também fala da apresentação da peça Roda Viva, de Chico Buarque, realizada em 2018, em comemoração aos 50 anos da primeira montagem sobre o texto do cantor e compositor, ainda novato na dramaturgia. Para Zé Celso, a peça tem uma forte essência, além da potência da narrativa e da música do autor na construção do enredo, o qual embasou a versão atual feita pelo Oficina.

“Nós compusemos mais músicas”, ressalta o diretor sobre a nova montagem de Roda Viva. “Então, agora, a versão é do Chico e de toda a Oficina Uzina Uzona. Começamos a reescrevê-la, porque uma série de coisas mudaram. Mas o teatro é assim. Você sempre traz a cada dia um público, a cada dia uma peça. É tudo vivo.”

Ícone da Tropicália e um dos líderes do movimento contracultural do Brasil, Zé Celso recorda dos tempos de prisão e tortura, em 1964, e do exílio em Portugal e Moçambique. Das lutas, destaca, ainda, a resistência para manter a sede do Teatro Oficina de pé no bairro do Bixiga, em São Paulo, a qual define como uma luta sagrada para a companhia.

“Enquanto eu puder cantar, eu canto. Enquanto eu puder mostrar a maravilha que é isso, eu mostro. Como diz Dionísio, eu acredito na potência do teatro, no poder da presença diante da presença do poder”, fala ele sobre a companhia e a atuação com o teatro.