A música suprema de um deus do jazz

John Coltrane (1926 – 1967) é considerado por muitos críticos musicais como o maior saxofonista tenor da história do jazz. O músico norte-americano, que estaria completando 95 anos no último dia 23 de setembro, exerce até hoje uma influência artística que ultrapassa o gênero, sendo uma referência também para o rock e a música erudita.
Tocando desde o final dos anos 1940 com jazzistas destacados da época – primeiramente na banda do trompetista Dizzy Gillespie, depois no grupo do também trompetista Miles Davis –, Coltrane logo mostrou ser um solista excepcional, de fraseado inventivo e ideias musicais inspiradas. Depois de participar tocando com Miles no antológico disco Kind of Blue (1959), o saxofonista decidiu investir em sua carreira solo, gravando o disco Giant Steps (1960).
Para o disco My Favorite Things (1960), registra revisitações harmônicas mais complexas de standards do cancioneiro norte-americano como Summertime e But Not for Me, Coltrane reuniu um quarteto que se tornaria uma das formações mais reverenciadas da história do jazz, com McCoy Tyner no piano, Elvin Jones na bateria e Steve Davis no baixo. Apesar de morrer jovem, com apenas 40 anos, Coltrane teve uma carreira prolífica: lançou cerca de 50 gravações como líder entre 1955 e 1967 e apareceu em outras tantas lideradas por outro músicos.
Durante sua trajetória, o artista foi transformando sua música, indo do bebop ao hard bop, passando pelo jazz modal e o free jazz – ganhando progressivamente uma dimensão espiritual que iria marcar seu legado musical final. O filme Chasing Trane: The John Coltrane Documentary (2016), de John Scheinfeld, é uma ótima maneira de conhecer a vida e a obra do músico.
Assista ao trailer do documentário:
Já nós aqui preparamos uma playlist especial com mais de quatro horas de pérolas gravadas por John Coltrane. Pode ligar a vitrola, acomodar-se na poltrona e viajar no sopro divino do saxofonista.