The Beatles 50 anos depois: cinco décadas após seu fim, obra segue atual, relevante e revolucionária

Paul, John, George e Ringo encerraram as atividades há 50 anos, mas quem há de dizer que eles não são atuais?

Há 50 anos, a banda mais importante do mundo anunciou que não tocaria mais junta. O fim dos Beatles, em abril de 1970 (antes do lançamento do último álbum do grupo, Let it Be, um mês mais tarde), caiu como uma bomba para fãs dos quatro garotos de Liverpool, amantes da música e beatlemaníacos do mundo inteiro. Mas, cinco décadas depois, Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr conseguem se manter topo de artistas mais relevantes da história e continuam influenciando e moldando a música que se ouve hoje em dia – algo que fica claro com o impacto que teve o anúncio de McCartney III, disco do ex-Beatle que deve sair em dezembro deste ano.

Convidamos especialistas no assunto – Frank Jorge, músico e coordenador do curso de produção fonográfica da Unisinos, e Diego Dias, que já levou o seu projeto Beatles no Acordeon até o Cavern Club, clássico palco dos Beatles em Liverpool – para nos ajudar a listar cinco motivos para que os Beatles cheguem a 2020 mais relevantes do que nunca!

1. Eles transitaram por diversos gêneros

Nascidos em um momento de transição do rock, de um ritmo juvenil, quase ingênuo, para um ambiente de experimentações e cada vez mais ousadia temática e formal, os quatro músicos de Liverpool foram quem melhor soube usar essa liberdade para passear pelas mais diversas influências, apresentando possibilidades que são interessantes até hoje. Do blues, do country e do soul, os garotos partiram para influências como música indiana e música eletrônica, antecipando inclusive elementos de gêneros que surgiriam em paralelo ou mais tarde, como o reggae e o heavy metal.

“Dos 16 aos 20 e poucos, estive muito influenciado por Beatles. Sou de 1966, quando eles já estavam na ativa, e via ali um imaginário para ser dissecado e reinterpretado, seja na Graforréia Xilarmônica, seja nos Cascavelletes (bandas em que Frank tocou), eram bandas que tinham muita influência de Beatles: as músicas, o embalo, o andamento, o tipo de baixo, de bateria. Seguem sendo relevantes e vão seguir sendo, porque têm uma obra muito consistente, que não perde o frescor”, explica Frank Jorge.

Já Diego ressalta o fato de a banda levar a ousadia sonora, típica da música feita nos anos 1960, a outro nível: “As bandas não arriscavam tanto quanto eles, que buscavam elementos de outros gêneros para colocar em suas composições, como é o caso da música indiana, usando mesmo instrumentos que não eram usados por bandas de rock”, lembra.

2. Revolucionaram o mundo não só na música

Não foi só com músicas que se tornaram clássicos que os Beatles entraram para a história: a revista TIME, por exemplo, chegou a elencá-los entre os nomes mais importantes da história no mundo da moda. Os cabelos, a atitude, a estética, o modo de agir em entrevistas, a relação com o público, as roupas usadas nas diferentes fases da banda, seus filmes, tudo foi feito de maneira diferente do padrão, tornando a banda algo como deslocada – de uma maneira positiva – no espaço-tempo.

Diego Dias ajuda a explicar essa revolução: “Beatles consegue, 50 anos depois, ser presente, porque romperam muitas barreiras. Não era só música, era comportamento, moda, cabelo, e isso mexeu muito com aquele tempo. Falavam sobre coisas que as pessoas queriam ouvir e não tinham ouvido até aquele momento”, detalha.

3. Falaram sobre assuntos que seguem sendo atuais 

“Seja falando sobre amor, sobre a existência, sobre memórias da infância, eles seguiram sendo relevantes porque apresentaram uma forma interessante de entender determinada leitura dos anos 1960. É uma leitura muito marcante e, escutando hoje em dia, percebe-se que é uma mensagem perene, atemporal, seja sobre relacionamentos, seja sobre uma visão de mundo“, resume Frank Jorge.

Temas como a paz mundial, a natureza, as críticas a governos desumanos, o protesto contra guerras, além de temas mais mundanos, como o amor romântico e o afeto familiar, fazem com que músicas de qualquer fase da banda possam ser consideradas atuais.

4. Seguem sendo reeditados, remixados e relançados em diversas mídias

Os Beatles entraram nos anos 2000 – ou seja, 30 anos depois de seu fim – com o lançamento de 1, álbum com seus maiores hits, que ficou nas paradas norte-americanas por impressionantes 388 semanas, com mais de 13 milhões de cópias vendidas.

Nos anos seguintes, o espetáculo Love (2006), do Cirque du Soleil, fez sucesso em Las Vegas e virou disco, com mais 2 milhões de cópias vendidas, e o catálogo completo da banda foi reeditado, em 2009, com lançamento pomposo – no mesmo dia em que o videogame Beatles: Rock Band foi lançado com um vídeo que viralizou na internet. As reedições seguem acontecendo e, claro, continuam deixando os fãs loucos.

5. E, claro, eles eram excelentes!

Por fim, e talvez mais importante do que qualquer outra coisa, a qualidade de Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr reunida em uma só banda é o fator primordial para tornar as músicas dos Beatles eternas. Frank Jorge resume: “O resultado final daqueles quatro tocando juntos era muito bom, no sentido de ter uma identidade muito própria. Por mais que muitas bandas dos anos 1960 soem parecidas, os Beatles tinham muita singularidade na combinação dos timbres de voz do Paul e do John. Um tipo de sonoridade, de composição, de abordagem de tema, que os fazia únicos”.