Conheça 10 patrimônios mundiais culturais do Brasil

 

No Brasil, o 17 de agosto marca o Dia do Patrimônio Histórico. A data foi escolhida porque é o aniversário de Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898 – 1969), primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O termo patrimônio histórico cultural diz respeito a tudo que é produzido, material ou imaterialmente, pela cultura de determinada sociedade e que, devido à sua importância, deve ser preservado por representar uma riqueza cultural para a humanidade.

Quando um elemento cultural é considerado patrimônio histórico cultural por algum órgão ou entidade especializado, dizemos que ele foi “tombado” como patrimônio. Podem ser bens considerados patrimônio histórico cultural obras de arte, construções e conjuntos arquitetônicos, festas e festividades, músicas e manifestações culinárias, entre outros representantes das diversas culturas ainda existentes ou que já existiram no mundo.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), órgão da ONU que promove a proteção e a preservação do patrimônio da humanidade, o Brasil é o 13º país no ranking com maior número de patrimônios da humanidade: são 22 bens tombados em 17 Estados.

Selecionamos aqui 10 sítios brasileiros tombados como Patrimônio Mundial Cultural que testemunham a riqueza cultural e paisagística do país – e que você não pode deixar de conhecer.

 

Ladeiras de Ouro Preto (MG). Foto: Isabella Atayde/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Centro Histórico de Ouro Preto (MG)

Encravada nas encostas de um estreito e sinuoso vale delimitado por duas cadeias de montanhas, a cidade histórica de Ouro Preto originou-se do processo de agregação de diversos arraiais de garimpo de ouro, ali estabelecidos no final do século 17 e início do 18. Foi declarada pela Unesco como patrimônio mundial em 5 de setembro de 1980, sendo o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial.

A riqueza das jazidas da região explica a primeira denominação, Vila Rica, bem como sua designação, em 1720, para capital da Província das Minas Gerais, criada pela Coroa Portuguesa para administração daquele território. Principal cidade do denominado Ciclo do Ouro, Ouro Preto, além de ter sido o berço de artistas, responsáveis pelas mais significativas obras do barroco brasileiro, foi também o cenário do movimento pela independência do Brasil em relação a Portugal, chamado de Inconfidência Mineira, cujo mártir, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tornou-se o patrono cívico do país.

Caminhar por suas íngremes ladeiras, observando secular casario e visitando as muitas igrejas decoradas por artistas como Aleijadinho e Mestre Ataíde, é uma viagem deliciosa viagem ao passado repleta de história e arte.

 

 

Rio de Janeiro (RJ). Foto Hermano Taruma/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Paisagens cariocas entre a montanha e o mar (RJ)

Uma natureza absolutamente singular e magnífica foi o que os europeus encontraram quando avistaram a Baía de Guanabara no século 16 e fundaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Seus arredores – caracterizados pela combinação entre o mar, as montanhas e a floresta – têm sido palco de grandes e importantes eventos históricos do Brasil.

A partir de 1992, o conceito de Paisagem Cultural foi adotado pela Unesco e incorporado como uma nova tipologia de reconhecimento dos bens culturais. Anteriormente, os sítios reconhecidos nessa categoria eram relacionados a áreas rurais, sistemas agrícolas tradicionais, jardins históricos e outros locais de cunho simbólico.

A cidade do Rio de Janeiro passou em 1º de julho de 2012 a ser a primeira área urbana no mundo a ter reconhecido o valor universal da sua paisagem urbana. A paisagem cultural do Rio é única no mundo e representa um exemplo excepcional dos desafios, das contradições e da criatividade do povo brasileiro.

 

 

Igreja de São Francisco de Assis, Belo Horizonte (MG). Foto: Marcilio Gazzinelli/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Conjunto Moderno da Pampulha – Belo Horizonte (MG)

Situado em uma das regiões mais tradicionais da capital mineira, o Conjunto Moderno da Pampulha recebeu o título de Patrimônio Mundial durante a 40ª Reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que aconteceu em Istambul, na Turquia, em 2016. A Pampulha é o primeiro bem cultural a receber o título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno. Para a Unesco, representa uma obra-prima do gênio criativo humano – e o próprio arquiteto Oscar Niemeyer o considerou uma de suas obras mais importantes.

Concebido como uma obra de arte total, integrando as peças artísticas aos edifícios e estes à paisagem, nele estão as quatro primeiras obras assinadas por Niemeyer, projetadas na década de 1940. Inspirado nas concepções do suíço Le Corbusier, o arquiteto brasileiro planejou os edifícios e incorporou ao projeto a influência moderna.

Formado por uma paisagem que agrega quatro edifícios articulados em torno do espelho d’água de um lago urbano artificial, é composto pela Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte) e o Iate Golfe Clube (Iate Tênis Clube) – bens construídos entre 1942 e 1943 e inaugurados na gestão de Juscelino Kubitscheck, então prefeito de Belo Horizonte. Completam esse patrimônio cultural os painéis em azulejos criados por Candido Portinari, esculturas de artistas renomados como Alfredo Ceschiatti e José Alves Pedrosa e os jardins planejados pelo paisagista Roberto Burle Marx.

 

 

Igreja de São Miguel (RS). Foto: Sylvia Braga/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Ruínas de São Miguel das Missões (RS)

As Missões Jesuíticas Guaranis, como um sistema de bens culturais transfronteiriços envolvendo o Brasil e a Argentina, compõem-se de um conjunto de cinco sítios arqueológicos remanescentes dos povoados implantados em território originalmente ocupado por indígenas, durante o processo de evangelização promovido pela Companhia de Jesus nas colônias da coroa espanhola na América, durante os séculos 17 e 18. Inscritos na Lista do Patrimônio Mundial em dezembro de 1983, esses remanescentes representam importante testemunho da ocupação do território e das relações culturais que se estabeleceram entre os povos nativos, na maioria do grupo étnico guarani, e missionários jesuítas europeus. No Brasil, estão localizadas as ruínas do sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo, mais conhecido como ruínas de São Miguel das Missões.

Esses bens também expressam em parte a experiência da Companhia de Jesus no território americano, produzida na chamada Província Jesuítica do Paraguai, que compreendia um sistema de relações espaciais, econômicas, sociais e culturais singulares, conformada à época por 30 povoados, chamados de reduções. Esse complexo incluía ainda estâncias, ervais, redes de caminhos e vias fluviais estendidas pela bacia do Rio Uruguai e de seus afluentes. A experiência, produzida durante os séculos 17 e 18, abrangia uma extensa área da América meridional correspondente, nos dias atuais, a regiões do Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil.

 

 

Alto da Invenção, Serra da Capivara (PI). Foto: Joaquim Neto/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Parque Nacional Serra da Capivara (PI)

O Parque Nacional Serra da Capivara foi criado em 1979 para preservar vestígios arqueológicos da mais remota presença do homem na América do Sul. Sua demarcação foi concluída em 1990 e, por sua importância, a Unesco o inscreveu na Lista do Patrimônio Mundial em dezembro de 1991.

Na área tombada foram localizados cerca de 400 sítios arqueológicos. A maioria deles contém painéis de pinturas e gravuras rupestres de grande valor estético e arqueológico. A área faz parte de um dos 63 parques nacionais do Brasil e está entre as 10 que protege a caatinga – sendo constituída de quase 40% da caatinga protegida no país.

 

Convento Franciscano, Olinda (PE). Foto: Nelson Kon/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Centro Histórico de Olinda (PE)

O centro histórico de Olinda, vizinho à cidade de Recife, remete ao início da colonização portuguesa no Brasil, no século 16, quando se consolidou como sede da Capitania de Pernambuco, no período áureo da economia de cana de açúcar. O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pelo Iphan em 1968.

O reconhecimento da cidade como Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco ocorreu em 1982, referindo-se a uma área com cerca de 1,5 mil imóveis, que testemunham diferentes estilos arquitetônicos: edifícios coloniais do século 16 harmonizam-se às fachadas de azulejos dos séculos 18 e 19 e às obras neoclássicas e ecléticas do início do século 20.

A vegetação exuberante das ruas, dos jardins, das aleias e dos conventos, com árvores frutíferas frondosas e coqueiros, confere ao sítio o valor dominante de um núcleo urbano emoldurado por uma massa verde sob a luz tropical, tendo aos seus pés a praia e o oceano. A cidade guarda sua relação com a paisagem local e com o mar, com as características de sua arquitetura vernacular – manifestação cultural herdada de Portugal e adaptada ao meio, assimilada a ponto de adquirir sua própria personalidade e mantê-la ao longo dos tempos.

 

 

Praça de São Francisco, São Cristóvão (SE). Foto: Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Praça São Francisco em São Cristóvão (SE)

Primeira capital do atual Estado de Sergipe, São Cristóvão foi fundada em 1590, sendo considerada a quarta cidade mais antiga do Brasil. Durante a invasão holandesa, de 1630 a 1654, a cidade foi praticamente destruída.

O processo de reconstrução foi lento e a arquitetura religiosa teve papel preponderante na nova configuração. A Praça São Francisco é um conjunto monumental excepcional e homogêneo, composto de edifícios públicos e privados que representam o testemunho único do período durante o qual as coroas de Portugal e Espanha estiveram unidas, entre 1580 e 1640.

Reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em 3 de agosto de 2010, a praça constitui um assentamento urbano que funde os padrões de ocupação do solo seguidos por Portugal e as normas definidas para urbes estabelecidas pela Espanha. Vários edifícios históricos da cidade são tombados individualmente pelo Iphan, como a Igreja e Convento de São Francisco, a Igreja de Nossa Senhora das Vitórias, a Igreja do Rosário dos Homens Pretos, o Conjunto Carmelita, a Igreja de Nosso Senhor dos Passos e o sobrado de Balcão Corrido da Praça da Matriz, entre outros exemplares da arquitetura civil e religiosa.

 

Esplanada dos Ministérios, Brasília (DF). Foto: Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Brasília (DF)

O conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília, construído a partir do Plano Piloto, um projeto de Lucio Costa, foi o primeiro conjunto urbano do século 20 a ser reconhecida pela Unesco, em 1987, como Patrimônio Mundial. Sua principal característica é a monumentalidade, determinada por suas quatro escalas – monumental, residencial, bucólica e gregária –, e por sua arquitetura inovadora.

Brasília foi concebida, projetada e construída entre 1957 e 1960. Seu conjunto urbanístico se constitui no principal artefato urbano produzido em consonância com os princípios urbanísticos e arquitetônicos do movimento moderno. Inserida no projeto nacional de modernização do país conduzido pelo então presidente Juscelino Kubitschek, sua construção e consolidação como capital do Brasil compõem um fenômeno geopolítico e social de grande desdobramento para a história brasileira.

Destaca-se a excepcional correspondência entre o projeto urbanístico de Costa e a arquitetura de Oscar Niemeyer, cuja imagem mais forte resulta do cruzamento entre os Eixos Monumental e Rodoviário, que define o seu esquema urbano e enfatiza o caráter representativo dos espaços públicos da Praça dos Três Poderes e da Esplanada dos Ministérios, expresso nas formas do edifício do Congresso Nacional e do modo de morar em suas superquadras.

 

Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, Congonhas (MG). Foto: Welerson/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Santuário do Bom Jesus de Matozinhos em Congonhas (MG)

Considerado uma das obras-primas do barroco mundial, o Santuário do Bom Jesus de Matozinhos foi reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco em dezembro de 1985. Situado em Minas Gerais, no município de Congonhas, o santuário começou a ser construído na segunda metade do século 18.

O conjunto edificado consiste em uma igreja com interior em estilo rococó, adro murado e escadaria externa monumental decorada com estátuas dos 12 profetas em pedra sabão, além de seis capelas dispostas lado a lado no aclive frontal ao templo – denominadas Passos, ilustrando a via crúcis de Jesus Cristo. Sua inspiração é fortemente relacionada a exemplares portugueses como a Igreja de Bom Jesus do Monte, em Braga, e ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego.

As 66 esculturas de madeira policromada em tamanho natural, abrigadas nas seis capelas que reúnem os sete grupos de Passos da Paixão de Cristo, compõem um dos mais completos grupos escultóricos de imagens sacras no mundo – sendo, sem dúvida, uma das obras-primas de Francisco Antônio Lisboa, o Aleijadinho, que deixou para a humanidade uma obra de grande expressão e originalidade.

 

 

Convento do Carmo, Salvador (BA). Foto: Nelson Kon/Reprodução do site portal.iphan.gov.br

Centro Histórico de Salvador (BA)

O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico contido na poligonal do centro histórico de Salvador é um dos mais importantes exemplares do urbanismo ultramarino português, implantado em acrópole, distinguindo-se em dois planos: as funções administrativas e residenciais no alto e o porto e o comércio à beira-mar. Aliada a uma topografia singular, a paisagem dessa área é formada basicamente por edifícios dos séculos 16 ao 19, na qual se destacam os conjuntos monumentais da arquitetura religiosa, civil e militar.

Fundada em 1549, a cidade de Salvador foi a primeira capital do Brasil, de 1549 a 1763. Edificada sobre uma colina, dominando uma imensa baía em ponto estratégico da costa brasileira, teve como objetivo centralizar as ações de Portugal na América e facilitar as transações comerciais com a África e o Oriente.

O centro histórico de Salvador apresenta grupos de construções e espaços que permitem a leitura do modelo das cidades fundadas pelos portugueses no além-mar. Os limites da primeira cidade (morfologicamente planejada e ortogonal), a sua expansão – de características menos rigorosas, formada por ruas constituídas por um casario uniforme, entremeado por conjuntos de arquitetura monumental – e, principalmente, a distinção entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa garantem a identificação de uma paisagem herdada do período colonial.