Dia do Quadrinho Nacional: 10 HQs para conhecer a produção brasileira de gibis

Faltam três dias para o Brasil comemorar o Dia do Quadrinho Nacional, mas a gente já aproveitou para prestar nossa homenagem

Já são mais de 150 anos de história dos quadrinhos no Brasil: em 30 de janeiro de 1869, Angelo Agostini publicou, na revista Vida Fluminense, aquela que é tida como a primeira história em quadrinhos do Brasil: As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte. Em 1984, Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) estabeleceu a data como uma dia comemorativo aos profissionais brasileiros que trabalham com os populares gibis. Estava criado o Dia do Quadrinho Nacional.

Com uma trajetória tão extensa e diversa, os quadrinhos deixaram, há muito tempo, de ser diversão para crianças e se tornaram uma forma respeitada de literatura e arte. Para comemorar a data, o portal Noite dos Museus lista 10 HQs que marcaram a produção nacional e podem servir como base para quem quiser conhecer melhor essa forma de cultura tão popular e disseminada entre os brasileiros.

1. As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte, de Angelo Agostini (1869)

Uma das primeiras histórias em quadrinhos publicadas no mundo, com as características que marcam esse tipo de publicação até hoje (personagem fixo, publicação em sequência, enquadramentos cinematográficos), a história publicada em 1869 pelo italiano Angelo Agostini marca o começo dos quadrinhos no Brasil. Conta a chegada de um caipiria, Nhô Quim, ao Rio de Janeiro e as suas impressões da Corte.

2. Revista O Tico-Tico, editada por Luís Bartolomeu de Souza e Silva (1905)

primeira e a mais importante revista voltada para o público infanto-juvenil no Brasil. O primeiro número circulou em 11 de outubro de 1905, tendo à frente o jornalista Luís Bartolomeu de Souza e Silva. Já no ano seguinte tornou-se sucesso nacional de vendas, chegando à impressionante tiragem de 100.000 exemplares por semana. passatempos, mapas educativos, literatura juvenil e informações sobre história, ciência, artes, geografia e civismo. Fotografias e desenhos dos leitores, enigmas e concursos também eram publicados. Contudo o mais singular e pioneiro no semanário foi a publicação de histórias em quadrinhos destinadas ao público infantil no Brasil. Com dois tipos de papel, quatro páginas coloridas e as demais em branco com verde, vermelho e azul, inovações gráficas e visuais, abriu espaço para novos autores, ilustradores e desenhistas. Luís Sá, criador dos personagens “Bolão”, “Reco-Reco” e “Azeitona”, J. Carlos, criador de “Juquinha”, “Carrapicho” e “Lamparina”, Max Yantok, criador de “Kaximbown”, Alfredo Storni, de “Zé Macaco”, além do também genial Ângelo Agostini,

3. Revista Gibi (1939)

Lançada em 1939, a revista Gibi aproveitou o sucesso dos quadrinhos publicados na Tico-Tico e apostou no formato para atingir o público infanto-juvenil. O nome, que era uma gíria que significava “menino” ou “guri”, acabou se popularizando e virou sinônimo das publicações de histórias em quadrinhos.

4. O Pererê, de Ziraldo (1960)

O sucesso do formato acabou ganhando seu personagem tipicamente nacional com o lançamento de O Pererê, revista com personagens do cartunista Ziraldo que ilustravam o folclore brasileiro, como o Saci. As histórias chegaram a ser publicadas na histórica revista Cruzeiro e inspiraram uma série de adaptações.

5. Los 3 Amigos, de Glauco, Laerte e Angeli (a partir de 1987, na revista Chiclete com Banana)

Publicadas pela primeira vez na revista Chiclete com Banana em 1987, Los 3 Amigos, dos cartunistas Glauco, Laerte e Angeli, marcam a transição dos quadrinhos de um formato infantojuvenil para o universo adulto, com temáticas sexuais, políticas ou de pura anarquia.

6. Castanha do Pará, de  Gidalti Jr. (2016)

Em 2017, o tradicional Prêmio Jabuti de Literatura passou a premiar histórias em quadrinhos – o primeiro a receber o troféu foi Castanha do Pará, de Gidalti Jr., que conta  a história de Castanha, um menino-urubu que vive aventuras pelo mercado público Ver-o-Peso, em Belém.

7. Turma da Mônica Jovem, de Mauricio de Sousa (a partir de 2008)

Talvez o universo mais popular dos quadrinhos nacionais, a Turma da Mônica, criada por Mauricio de Sousa em 1959, gerou uma série de adaptações e versões. Em 2008, o estúdio apostou no público adolescente e infantojuvenil, não só no infantil, com a Turma da Mônica Jovem, que passou a tratar de assuntos mais complexos e ter traços de mangá. A edição 34 foi a de maior sucesso, com o beijo entre Cebolinha e Mônica, em uma edição que vendeu mais de 500 mil exemplares.

8. Quadrinhos dos Anos 10, de André Dahmer (2016)

A internet transformou os quadrinhos em um formato adaptável ao universo de memes e redes sociais, movimento em que André Dahmer foi um dos grandes mestres. Sua série de quadrinhos Malvados e a sua publicação Quadrinhos dos Anos 10 marcam esse estilo.

9. Cascão: Temporal, de Camilo Solano (2020)

Outra adaptação que a Turma da Mônica sofreu foram as graphic novels lançadas pelo selo Graphic MSP a partir de 2011, que convidou autores e quadrinistas para escrever e apresentar suas versões dos personagens de Mauricio de Sousa. Turma da Mônica Laços acabou sendo até adaptada para o cinema. O lançamento mais recente do selo é Cascão: Tempestade, de Camilo Solano, lançado em 2020.

10.  Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá (2010)

Publicada nos Estados Unidos pelos gêmeos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá, a história foi lançada em forma de minissérie de 10 capítulos e acabou se tornando um dos grandes sucessos do gênero, vencendo prêmios nos EUA e na França.