Cinema nacional: 5 pontos essenciais para o pós-pandemia

“Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou”, de Bárbara Paz, concorria a uma vaga no Oscar na categoria de filme estrangeiro

Ainda que Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou, documentário de Bárbara Paz sobre seu falecido marido e histórico cineasta, tenha ficado de fora da disputa pelo prêmio de melhor filme estrangeiro no próximo Oscar – marcado para abril deste ano, o cinema nacional dá mostras de que vive um momento importante no que diz respeito a produção e aceitação do público. Ainda que o enfraquecimento recente da Ancine e todos os desafios trazidos pela pandemia de coronavírus tenham sido impactantes para o conjunto, iniciativas de qualidade e sucesso têm conseguido prosperar e dão uma interessante perspectiva para a produção nacional no pós-quarentena. Confira 5 pontos para ficar atento no cinema nacional pós-pandemia:

1. Novos diretores resgatam apelo do público

Não é só por Barbara Paz, diretora de Babenco, mas o cinema nacional vem emplacando, ano após ano, filmes que agradam a crítica e acabam conquistando o público – que tem um notório preconceito com a produção brasileira. É o caso dos recentes Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert, O Som ao Redor (2013), Aquarius (2016) e Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho, e A Vida Invisível (2019), de Karim Ainouz, que dão uma nova cara ao cinema nacional e criam um sentimento de expectativa para os momentos pós-pandemia.

2. Força nos documentários

Se o cinema nacional já teve momentos de muita força pautado em produções de diversos gêneros de ficção, recentemente o documentário vem sendo uma importante fonte de bons filmes brasileiros: não só Babenco, que era a escolha nacional para a disputa do Oscar e venceu diversos outros prêmios internacionais, em 2019 o documentário Democracia em Vertigem, de Petra Costa, concorreu à estatueta mais famosa do cinema mundial.

3. Produção em parceria com serviços de streaming

Se Democracia em Vertigem foi um sucesso no que diz respeito a marketing internacional e abrangência de público, isso se deve muito à qualidade da produção de Petra Costa, mas também ao respaldo que a gigante do streaming Netflix emprestou ao filme. “Este é um dos nossos maiores mercados no mundo e estamos comprometidos com o Brasil ao longo prazo”, explicou recentemente Francisco Ramos, vice-presidente de conteúdo original da Netflix para a América Latina, em entrevista à Rolling Stone Brasil. Séries como Coisa Mais Linda, documentários como Laerte-se e a ficção Ricos de Amor são exemplos recentes de forte investimento na produção nacional.

4. Excelência em animação

Outra faceta que o cinema nacional vem mostrando nos últimos anos é o de excelência em animação. O Menino e o Mundo (2016), de Alê Abreu, chegou à disputa do Oscar, o que não aconteceu com Tito e os Pássaros (2018), que chegou perto. Mas a sequência mostra que os animadores brasileiros vêm produzindo trabalho compatível com o nível mundial, algo que pode ser observado em produções mais recentes, como o curta-metragem Umbrella, de Helena Hilario e Mario Pece.

5. O retorno das salas de cinema

Se o momento atual é de dificuldade, a esperança das salas de cinema é que o pós-pandemia seja de recuperação. Depois de quase um ano de paralisação ou, pelo menos, intermitência, o planejamento conta com a volta do público para assistir promessas de blockbusters nacionais, como Marighella, de Wagner Moura, Turma da Mônica – Lições, de Daniel Rezende, e A menina que matou os pais, de Mauricio Eça.