Centenário de Zé Keti, 2021 será marcado por homenagens à voz do morro

Zé Keti influenciou não só o samba, mas o rap, a MPB, o teatro e o cinema

Conhecido como “a voz do morro”, graças a uma composição sua que se tornou espécie de hino informal das favelas cariocas, o cantor e compositor Zé Kéti (1921-1999) completaria 100 anos em 2021. Nascido no Rio de Janeiro, José Flores de Jesus deve ser homenageado em shows e discos durante o ano. Ligado ainda a movimentos do cinema e do teatro, o músico é autor de sucessos como Máscara Negra, Mascarada e Opinião.

Homenagens ao centenário

Se o centenário de Zé Keti se dará somente em 16 de setembro, o ano já começou com homenagens ao artista: o festival Zé Kéti – 100 anos da Voz do Morro, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, promoveu quatro dias de shows de artistas como Zé Renato, João Cavalcanti, Cristóvão Bastos, Fabiana Cozza, Casuarina, Nilze Carvalho, Moacyr Luz e Sururu na Roda, além de palestras dos músicos sobre a influência de Zé Keti em suas carreiras. O projeto deve ter edições em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília ainda em 2021.

Já no campo dos lançamentos pensados para 2021, o músico Jards Macalé grava, desde 2019, um disco com composições de Zé Keti ao lado do percussionista Sergio Krakowski, considerado um dos maiores pandeiristas do mundo, do guitarrista Todd Neufeld e do pianista Vitor Gonçalves. “Começou! É alegria total receber Jards Macalé em NY pra gravar um disco inteiro de Zé Kétti com meu trio”, escreveu Krakowski em suas redes sociais, ainda em 2019, a gravação do álbum previsto para ser lançado em 2021 pela gravadora Rocinante.

Quem era Zé Keti – música, cinema e teatro

José Santos Flores é, além de um dos grandes cronistas da vida nas favelas cariocas (Ruy Castro, outro grande cronista carioca, escreveu recentemente que “todos os grandes sambas de Zé Kéti contam uma história do morro”), um dos artistas mais influentes da música nacional – servindo de inspiração para cantores de MPB, sambistas, rappers e poetas que ouvem, veem e leem sua obra.

Zé Kéti começou a compor no fim dos anos 1930 e teve sua primeira música gravada em 1946: Vivo Bem, pelo cantor Ciro Monteiro (1913 – 1973). Ele é celebrado principalmente pela composição do samba A Voz do Morro, gravado na voz do cantor Jorge Goulart (1926 – 2012) em 1955.

Além de sua importância na música, Zé Kéti é responsável pela trilha sonora de filmes do cinema nacional – era amigo pessoal de Nelson Pereira dos Santos. Participou de filmes como Rio 40 Graus e O Boca de Ouro (1962), de Nelson Pereira; A Falecida (1965), de Leon Hirszman; e A Grande Cidade (1966), de Carlos Diegues. Consagrado como compositor, em 1964, Zé Kéti estreia na peça musical Opinião de Oduvaldo Vianna Filho, Ferreira Gullar e Armando Costa, ao lado de Nara Leão, João do Vale e Maria Bethânia, que substitui Nara Leão quando ela adoece.