Cinemateca Capitólio lembra o diretor Odilon Lopez

Cinemateca Capitólio/Divulgação

Para celebrar o 50º aniversário de lançamento de Um É Pouco, Dois É Bom, a Cinemateca Capitólio preparou diversas atividades especiais. A programação se iniciou nesta quinta (26/11) e se estende até 5 de dezembro, quando é atração no evento Noite dos Museus.

Um dos destaques da programação é uma rara entrevista concedida por Odilon Lopez a Giba Assis Brasil, em outubro de 1995. A entrevista integra a série Persona Grata, projeto de memória oral concebido pela Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC-RS), em parceria com a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), hoje Coordenação de Cinema e Audiovisual. A entrevista está disponível no canal do YouTube do Capitólio.

Já nesta sexta (27/11), às 19h, será realizada uma live abordando o filme, com participação de Noel dos Santos Carvalho, professor da Unicamp, autor do artigo A Trajetória de Odilon Lopez: Um Pioneiro do Cinema Negro Brasileiro. Também participa Milton do Prado, coordenador do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos, que dirigiu Odilon como ator em seu curta O Velho do Saco (1999).

A live poderá ser acompanhada no canal do Capitólio no YouTube e Facebook da APTC-RS.

O filme também integra a programação da Noite dos Museus, que ocorre no dia 5 de dezembro. Para a ocasião, o músico Carlos Ferreira, radicado em São Paulo, criou um trilha sonora inédita para interagir com imagens do filme, em uma performance gravada.

Na noite, a fachada da Cinemateca Capitólio, receberá iluminação especial, destacando a beleza de sua arquitetura, bem como o importante trabalho realizado pela instituição em prol da preservação e divulgação da história do cinema gaúcho, na qual o pioneiro filme de Odilon Lopez ocupa um lugar de honra.

Cinemateca Capitólio/Divulgação

Mineiro radicado em Porto Alegre desde o final da década de 1950, Odilon Lopez(1941 – 2002) tinha apenas 29 anos de idade quando dirigiu esse que é considerado um dos tesouros escondidos do cinema brasileiro. Primeiro longa-metragem assinado por um realizador negro no Rio Grande do Sul, o filme está dividido em dois episódios, Com um Pouquinho de Sorte Vida Nova por Acaso, destacando-se por sua crítica ao milagre econômico brasileiro e pela contundência na abordagem da questão do racismo.

Com a colaboração do escritor Luis Fernando Verissimo no roteiro, essa comédia urbana traz uma representação até então inédita da cidade de Porto Alegre no cinema, constituindo-se em um documento valioso sobre a capital gaúcha no início da década de 1970. A única cópia em 35 mm disponível do filme está depositada na Cinemateca Capitólio, assim como outros documentos do acervo pessoal de Odilon Lopez, incluindo roteiros inéditos.