Por que você precisa assistir ao documentário “AmarElo”, de Emicida, em 4 motivos!

Rapper e escritor, Emicida é protagonista do documentário mais visto no Brasil neste fim de ano

Se Emicida já é há algum tempo um dos rappers mais importantes do cenário musical brasileiro, mais recentemente o músico vem se transformando em figura central para entender o Brasil – não só o Brasil atual, mas o processo de criação e transformação do Brasil, principalmente neste momento conturbado, de transição e definitivamente incerto.

Com uma carreira de mais de 15, com três álbuns de estúdio lançados – mais uma série de EPs, mixtapes e singles -, Emicida já havia sido protagonista de três documentários: Disseminando Ideias e Influenciando Pessoas (2010), The Rise of Emicida (2011) e O Homem do Saco (2015). Mas é com o documentário Emicida: AmarElo – É tudo Pra Ontem, lançado pela Netflix em 8 de dezembro, com direção de Fred Ouro Preto e produção do músico Evandro Fióti, irmão e sócio do rapper, que Emicida chega a seu auge.

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O filme – que une documentário, show gravado, bastidores e aula de história – é um desdobramento do álbum AmarElo, lançado em 2019 e vencedor do Grammy latino de melhor disco de rock ou música alternativa em língua portuguesa. Entremeando narrativas históricas, biografias de figuras invisibilizadas e as faixas de seu disco, Emicida conta uma história muito particular do Brasil e aborda temas essenciais para entender nossa sociedade.

1. A escravidão e o trabalho negro na formação do Brasil

Ao lembrar que o Theatro Municipal de São Paulo foi construído não só por mão-de-obra negra, mas muitas das edificações admiradas pelo Brasil têm idealização de arquitetura negra, Emicida reforça a importância do trabalho forçado de negros escravizados para a formação Brasil enquanto estrutura, mas também enquanto nação, sociedade e país. O documentário apresenta ainda minidocumentários sobre a história de ritmos como o samba e o hip-hop, importantíssimos na afirmação da população negra, principalmente jovem, no Brasil. É um documentário de afirmação e de reforço da identidade negra brasileira.

2. Nomes gigantes ocultados pelo racismo

Até por conta dessa característica do filme, AmarElo constrói um trabalho importante de resgate de nomes importantes do Brasil que foram silenciados pelo racismo. Ao contar a história de pessoas como Lélia González (1935-1994), importante ativista em discussões sobre as relações entre gênero e raça, Joaquim Pinto de Oliveira (1721-1811), mais conhecido como Tebas, um dos arquitetos mais importantes do século XVIII em São Paulo, os Oito Batutas, o primeiro grupo de música popular brasileira a conseguir projeção internacional, e Ruth de Souza (1921-2019), atriz histórica do teatro e da televisão, primeira mulher negra a protagonizar uma telenovela, Emicida dá importante suporte ao reforço da identidade negra brasileira e de seus nomes fortes.

3. Gentrificação e o processo de afastamento de pessoas negras

Ao contar a história do Brasil, Emicida dá especial foco em São Paulo e sua região central: antes uma região de população essencialmente negra, foi sendo elitizada – ironicamente, por mão-de-obra – e descaracterizou-se, empurrando as pessoas que ali moravam para a periferia. A realidade é comum em diversas cidades brasileiras, mas marca a formação de São Paulo.

4. A cultura hip-hop na afirmação de jovens negros e a ocupação de espaços

Em determinado momento do documentário, Emicida pergunta ao trapper Jé Santiago se ele já havia entrado no Theatro Municipal – quando Jé responde que não, ele diz algo como “aproveita, que agora isso é nosso”. É esse o espírito da mensagem de reforço de confiança que Emicida parece desejar passar às pessoas negras, como ele, que assistem ao filme. O documentário traça um histórico que mostram que pessoas como ele e Jé são afastadas de lugares como o teatro mais importante de São Paulo, algo nada justo.

Veja o trailer do documentário AmarElo – É Tudo Pra Ontem: