40 anos sem Bob Marley: o dia em que o rei do reggae veio ao Brasil

Há exatos 40 anos, o mundo perdia um de seus artistas mais revolucionários, importantes e engajados: Bob Marley, o mais célebre cantor e compositor do reggae, morreu em 11 de maio de 1981, aos 36 anos, em decorrência de um câncer do tipo melanoma na unha de um dos dedos do pé.

A influência de Bob Marley, não só na música, mas também no âmbito sociopolítico e cultural, no geral, fica clara em seu legado musical: são mais de 15 discos, diversos sucessos e uma disseminação global da música, da religião e dos anseios de um pequeno país da América Central, a Jamaica.

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Ainda que não tenha feito nenhum show no Brasil, Marley veio ao país em uma oportunidade, no ano de 1980 – algo que gerou repercussões por aqui e comparações por parte do músico. Enquanto gravava seu álbum Uprising, que viria a ser seu último lançamento em vida, Marley recebeu o convite para participar do lançamento da gravadora alemã Ariola no Brasil. Apaixonado por futebol, pela música de Gilberto Gil e pelas semelhanças entre os povos brasileiro e o jamaicano, o músico aceitou. “Rivelino, Jairzinho, Pelé… A Jamaica gosta de futebol por causa do Brasil”, teria dito.

Acompanhado do guitarrista Junior Marvin, da banda The Wailers; do cantor Jacob Miller (1952-1980), do grupo Inner Circle; do executivo Chris Blackwell, fundador da Island Records, e de sua mulher, a atriz e modelo Nathalie Delon (1941-2021), Marley não teve seu visto de trabalho no Brasil liberado – o país vivia sob intervenção militar e os responsáveis pela inspeção do músico teriam questionado as intenções do grupo no Brasil.

Ainda que não tenha tido a oportunidade de tocar no Brasil, Marley falou sobre seu amor por Gilberto Gil, que havia gravado Não Chore Mais, uma versão de No Woman no Cry, no ano anterior: “O reggae tem a mesma raiz, o mesmo calor e o mesmo ritmo do samba”. No dia seguinte, ganharia uma camisa do Santos, com o número 10, presente de Pelé. O futebol também foi protagonista do encontro do músico com Chico Buarque, Moraes Moreira, Toquinho, Alceu Valença e outros figurões: no Centro Recreativo Vinícius de Moraes, sede do time de futebol de Chico, o jornal O Globo afirmou em reportagem que houve uma pelada, que durou apenas 20 minutos – “dadas as condições físicas dos ‘atletas'”, enfatizou o repórter – e contou também com a presença do profissional Paulo Cezar Caju.

O voo de volta de Bob Marley foi antecipado, não houve nada de mais relevante na visita e, do Brasil, o músico levou equipamentos de futebol, instrumentos típicos do país e alguns amigos – que não voltaria a encontrar, pois logo seria vitimado do câncer que o mataria mais cedo do que todos esperavam.