Sem a rua, slams apostam no ambiente virtual para não parar durante a pandemia

Eventos de slam precisaram sair da rua e encontraram na internet, nas lives e nas redes sociais a sua nova plataforma

Se há uma forma de expressão cultural que depende essencialmente da rua, essa é o slam. Espécie de performance de poesia falada, por vezes em formato de competição, com intensa participação do público e forte teor político em discursos, rimas e improvisos, os slams viram na pandemia, e sua consequente necessidade de isolamento social, uma das maiores barreiras desses últimos anos de ascensão que o formato vinha sentindo no Brasil e no mundo.

Desconhecido até pouco tempo atrás, o slam ganhou popularidade, viu eventos surgirem em diversos lugares do Brasil (confira alguns exemplos abaixo) e artistas se consagrarem em competições com público grande e participativo.

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Diante da dificuldade, alguns artistas e coletivos que já se envolviam com a cultura do slam – ou áreas de seu entorno – perceberam as redes sociais como uma possibilidade de novos eventos: é o caso do Selo Nsabas, que já realizou duas edições do Festival Pandemia Poética. É também a história do evento Slam Viral – Viralizando Poesias por Todas as Partes, organizado por poetas e slammers brasileiros, que premiou a moçambicana Revoltada em sua primeira edição, em agosto do ano passado.

Enquanto a pandemia segue com números assustadores, o crescimento do slam como expressão cultural viva e presente, atualizada e intensa, também não parece arrefecer. No próximo dia 24 de abril, o Slam Peleia vai promover a sua edição da Peleia das Gurias, evento online dedicado às slammers. A tendência parece ser essa, mas os artistas deixam claro uma coisa: não abdicam da rua, e, assim que possível, voltarão ao calor do público presente – porém, agora, com a experiência de usar a plataforma online como alternativa.